
Lubrificação preventiva: quanto custa deixar de fazer?
Uma máquina raramente avisa que vai parar.
Antes de uma falha mais séria, alguns sinais costumam aparecer. Um rolamento começa a trabalhar mais quente, um componente apresenta ruído diferente, uma corrente fica mais pesada ou uma peça começa a apresentar desgaste acima do esperado.
Em muitos casos, existe algo em comum por trás desses sinais: a lubrificação não está sendo feita da maneira adequada.
É fácil deixar a lubrificação preventiva em segundo plano quando o equipamento está funcionando normalmente. A manutenção tem outras prioridades, a produção não pode parar e aquela pequena quantidade de graxa que precisa ser aplicada parece uma tarefa simples.
O problema aparece quando a máquina para.
Aí entram o tempo de manutenção, o custo das peças, a mão de obra, a perda de produção e, dependendo do equipamento, até o risco de danificar outros componentes.
Por isso, quando falamos em lubrificação preventiva, a pergunta talvez não seja quanto custa fazer. A pergunta é quanto pode custar deixar de fazer.
O que acontece quando a lubrificação é deixada de lado?
Todo componente possui condições específicas de trabalho.
Rolamentos, mancais, engrenagens, correntes e outros elementos móveis precisam de lubrificação adequada para reduzir o atrito, controlar o desgaste e ajudar na dissipação de calor.
Quando o lubrificante está em quantidade insuficiente ou perdeu suas características, a superfície dos componentes pode ficar mais exposta ao atrito.
Imagine um rolamento trabalhando durante horas em uma máquina industrial. A rotação é constante e a carga permanece elevada.
Se a lubrificação estiver inadequada, o aumento de temperatura pode ser um dos primeiros sinais.
Depois podem aparecer ruídos, vibrações e desgaste. Em uma situação mais severa, o rolamento pode travar ou sofrer danos que exigem uma intervenção maior.
O custo deixou de ser apenas o valor da graxa.
Lubrificar mais também pode ser um problema
Existe outro erro bastante comum: acreditar que quanto mais lubrificante, melhor.
Não funciona dessa maneira.
Um excesso de graxa em determinadas aplicações pode aumentar a resistência ao movimento e contribuir para o aumento da temperatura. Dependendo do componente e das condições de trabalho, isso pode acelerar a degradação do lubrificante e prejudicar o funcionamento.
A frequência e a quantidade precisam ser definidas considerando a aplicação.
Por isso, simplesmente criar uma rotina de colocar graxa toda semana em todos os equipamentos também pode gerar problemas.
A lubrificação preventiva precisa ser planejada.
A frequência de lubrificação depende da aplicação
Não existe um único intervalo que possa ser aplicado a todas as máquinas.
Temperatura, velocidade, carga, ambiente, tipo de componente, tipo de lubrificante e condições de operação influenciam diretamente essa definição.
Um rolamento que trabalha em ambiente limpo e com temperatura moderada pode ter uma necessidade completamente diferente de outro que trabalha próximo a uma fonte de calor, com presença de água, poeira ou cargas elevadas.
É por isso que copiar o intervalo de lubrificação de outra máquina pode não funcionar.
O equipamento precisa ser avaliado dentro das suas próprias condições de trabalho.
O lubrificante também precisa ser especificado corretamente
Outro ponto que costuma passar despercebido é a escolha do produto.
Duas graxas podem apresentar a mesma classificação NLGI e ainda possuir características diferentes de composição e aplicação.
Óleo base, espessante e aditivos influenciam o comportamento do lubrificante.
Uma graxa adequada para determinada condição pode não apresentar o mesmo desempenho em outra aplicação.
Por isso, antes de substituir um lubrificante, é preciso avaliar as características do equipamento e verificar a compatibilidade com o produto que já está sendo utilizado.
Essa atenção é especialmente importante quando existe uma troca de fornecedor, uma mudança no processo ou uma tentativa de padronizar os lubrificantes utilizados na fábrica.
Como saber se a lubrificação está adequada?
Alguns sinais merecem atenção durante as inspeções de rotina.
Aumento de temperatura, ruídos diferentes, vazamento de graxa, consumo acima do habitual e alterações no comportamento do equipamento podem indicar que existe algo errado.
Também vale observar o estado do próprio lubrificante.
Uma graxa que apresenta alteração significativa de aparência ou consistência pode indicar contaminação, degradação ou algum problema relacionado à aplicação.
Esses sinais não devem ser analisados isoladamente.
Quando um rolamento começa a aquecer, por exemplo, a causa pode estar relacionada à lubrificação, mas também pode envolver carga, montagem, alinhamento ou outras condições do equipamento.
A manutenção preventiva funciona melhor quando existe uma rotina de acompanhamento.
O custo de uma parada pode ser muito maior
Imagine uma linha de produção que precisa parar porque um rolamento apresentou falha.
Existe o custo do componente, da mão de obra e da manutenção.
Mas existe também o tempo em que a máquina deixa de produzir.
Dependendo do processo, uma parada de poucas horas pode representar um impacto muito maior do que o custo do lubrificante e da mão de obra necessária para realizar uma lubrificação preventiva corretamente.
E ainda existe a possibilidade de uma falha comprometer componentes próximos.
É por isso que a lubrificação precisa ser tratada como parte da manutenção do equipamento, e não como uma tarefa secundária.
Como estruturar uma rotina de lubrificação preventiva?
O primeiro passo é identificar quais componentes precisam de lubrificação e quais produtos devem ser utilizados em cada ponto.
Depois, é importante registrar informações como intervalo, quantidade aplicada e condições observadas durante a manutenção.
Essa organização ajuda a perceber mudanças no comportamento do equipamento.
Se determinado ponto começa a consumir muito mais graxa do que o habitual, por exemplo, pode existir uma condição que merece investigação.
Também é importante evitar misturas de produtos sem verificar a compatibilidade.
Uma rotina bem definida reduz a dependência da memória de quem está realizando a manutenção e diminui a possibilidade de utilizar o lubrificante errado.
A lubrificação preventiva começa com a aplicação correta
Uma boa rotina de lubrificação envolve mais do que escolher uma graxa e aplicá-la.
É preciso entender o componente, as condições de trabalho e as características do lubrificante.
Quando existe dúvida sobre qual produto utilizar, qual intervalo adotar ou por que determinado equipamento está apresentando consumo excessivo de lubrificante, uma avaliação técnica pode ajudar a encontrar a causa.
A Smierveda trabalha com soluções em lubrificação industrial e pode auxiliar na seleção de lubrificantes e graxas de acordo com as necessidades da aplicação.
Esse suporte também pode ser útil quando a empresa está revisando sua rotina de manutenção, buscando padronizar produtos ou enfrentando problemas recorrentes relacionados à lubrificação.
No fim, a conta da lubrificação preventiva costuma aparecer de duas maneiras.
Você pode investir tempo para cuidar do equipamento enquanto ele está funcionando.
Ou pode esperar que o equipamento pare para descobrir quanto custa uma falha.
A diferença está em escolher quando esse custo vai aparecer.
